O que é trânsito para Brasília?
A situação do trânsito da capital do país e o que os seus habitantes têm a dizer sobre isso.
A palavra trânsito começa a ter outro significado em Brasília. Como capital e cidade mais bem planejada do país, ela vem enfrentando várias situações de trânsito obstruído. O que anteriormente não se imaginava que pudesse atingi-la tão cedo. Com o crescente aumento do número de automóveis, em circulação, e a falta de educação, no trânsito, por parte de alguns motoristas. Alguns problemas começaram a surgir.
Brasília, ao concentrar a maior parte dos postos de trabalho, acaba gerando grande deslocamento de veículos. Motoristas que vêm de diversas cidades satélites do DF (Distrito Federal) para o Plano Piloto. O que acaba gerando situações de congestionamento, nas principais vias de acesso a capital. A
Via Estrutural, a EPTG ( Estrada Parque Taguatinga – Guará ), a EPIA ( Estrada Parque Indústria e Abastecimento) e o Eixo Monumental são as mais afetadas por transtornos.
O que vai contra os as esperanças da população da cidade. Que nunca pensou em ter problemas com o trânsito, e ao sair de casa se depara com congestionamentos. Causados principalmente pelo grande número de carros. Mesmo em vias com até seis pistas de rolamento, como o Eixo Monumental, e com velocidade média de até 80 quilômetros por hora, como a via L4 Sul e L4 Norte. Que já apresentam uma rotina de engarrafamentos.
Os problemas e as soluções
Os motoristas da cidade já começam a traçar novas rotas, para se livrarem dos aborrecimentos causados pelo trânsito. Alinne Almeida da Silva, 21, usa essa tática para chegar á faculdade. “ Nosso trânsito esta ficando cada vez mais parecido com os de outras cidades, como Petrópolis e São Paulo ” disse a estudante de Publicidade e Propaganda. “ Eu chego a sair de casa já me preparando para tomar outros caminhos, e evitar um possível atraso” afirma a futura publicitária.
A população da cidade que vêm enfrentando problemas, com relação ao deslocamento no trânsito. E aponta que o principal motivo é realmente o aumento da frota de carros. E concentrando apenas 9% da população total do Distrito Federal, 2,5 milhões de habitantes, Brasília conta com uma frota de veículos correspondente a um milhão, segundo dados do Detran-DF (Departamento de Trânsito do Distrito Federal).
O que também já está afetando os estacionamentos. Motoristas, desrespeitando as leis de trânsito, estacionam nas calçadas, faixas de pedestres, canteiros e até ao longo das faixas de rolamento. Dificultando
ainda mais a circulação de pessoas e veículos por vários locais da cidade. A via W3 Sul e a Esplanada dos Ministérios têm convivido muito com esse fato nos últimos três anos.
A gerente do Detran-DF do Paranoá (cidade satélite), Jânia Michirefe, 38, concorda com a população. “ Isso é uma tendência mundial, o crescimento da frota de veículos de Brasília não acompanha o desenvolvimento da cidade” declara a gerente. Jânia Michirefe por outro lado acha que o trânsito de Brasília, nessas condições, ainda conta com boas vias de acesso e fluxo moderado.
Mas com um veículo para cada 2,3 habitantes, o trânsito na capital federal já dá sinais de que está acima do desejável. Sendo que o trânsito da grande São Paulo, com a pior proporção em número de automóveis, do país, possui um veículo a cada 1,78 habitantes. O que quer dizer que se Brasília continuar neste ritmo, terá no ano de 2014 o equivalente a um carro por pessoa da atual população.
Isso não seria um problema se a os cidadãos da capital tivessem uma consciência coletiva. Pois se ao invés de sair uma pessoa para cada veículo saíssem, por exemplo, três pessoas, o trânsito ficaria com o fluxo melhorado em até 33%. Mas o transporte em Brasília não é assim, e é considerado como transporte individual de pessoas.
Carlos Alberto Santos Aires, 43, motorista de ônibus tem outra opinião sobre o caso. “O trânsito de Brasília ficou complicado, principalmente para os carros pessoais” afirma ele. O motorista reclama dos horários de “pico”. Que sempre vêm marcados com engarrafamentos em vários pontos da cidade. “Piora nos horários de pico, das 6h às 7h30min e das 18h30min às 20h30min, que o fluxo de carros é muito maior” aponta Carlos Alberto, que acaba tendo que sair mais cedo de sua residência para não se atrasar com os compromissos.
E no caso dos pedestres?
Falando apenas de transito de veículos não se podem esquecer os pedestres. Com essa alta taxa de carros em circulação, os pedestres também sofrem. Você deve estar se perguntando como um pedestre pode ser afetado. Eu explico. O pedestre que circula de sua casa para o trabalho e escola, ou vice versa, tem de atravessar as pistas que encontra no caminho. Essas pistas nem sempre tem uma faixa para pedestre, um semáforo, ou uma passarela. O que dificulta a travessia do pedestre.
Mariana Rodrigues Braga, 15, vai para a escola sem utilizar de transporte coletivo ou pessoal. Pois sua escola fica próxima a sua casa. Mas ao ter que atravessar a pista por volta de 7h00min da manhã ela fica na calçada cerca de oito minutos, aguardando uma pausa na circulação para poder atravessar com segurança. “ Eu já estou acostumada, fico parada na calçada esperando uma ‘trégua’ do movimento para eu poder atravessar, o que ás vezes demora um pouco” declara a adolescente.
Em Brasília se para na faixa de pedestres? É, antes realmente a resposta era “sim”. Hoje a faixa já não dá tanta segurança na travessia como proporcionava há anos atrás. Vários casos de motoristas que não respeitam a preferência do pedestre são comuns na capital. Eles param em cima da faixa, ou até mesmo nem chegam a reduzir a velocidade ao se aproximarem da faixa. O que nos últimos anos aumentou o número de casos de atropelamentos por decorrência disso.
Apesar de todos esses dados alarmantes o Cabo da PM (Polícia Militar), Joel Amaro, 43, esta satisfeito com a movimentação dos veículos do Distrito Federal. “O trânsito de Brasília é relativamente bom, com relação á outros estados” declara o policial. Acrescentou ainda que “a frota de veículos tem aumentado bastante, mas o número de ocorrências no trânsito com relação a acidentes não se alterou”.
Ainda tem quem concorde que os integrantes do corpo policial da PM de Brasília contribuam com a obstrução do trânsito, ao fazerem blitz em horários de pico. “Não estou dizendo que eles não devem fazer seu trabalho, mas ao colocarem uma blitz muito curta na pista, em horários de pico, fazem o transito parar” declara Antonio Braga, 21. Que para ir para a academia em horários de pico, chega a ficar parado no trânsito por vários minutos em decorrência de blitz, ou obstrução causada por cones. “Aquele ‘ziguezague’ das barreiras pode não fazer diferença em outros horários, mas com um grande fluxo de carros causa um congestionamento” declara o rapaz.
Opinião popular e providências
Outros problemas também são apontados, pelo público, no trânsito. E que não são causados por fluxo ou horário de pico. “As vias melhoraram, com as duplicações, mas os motoristas estão muito afoitos no trânsito” disse também o motorista de ônibus Carlos Alberto S. Aires. “As auto-escolas deveriam instruir um pouco mais os jovens no trânsito, pois tiram a carteira e são imprudentes” acrescentou.
Em resposta a essas reclamações o DETRAN recentemente mudou alguns critérios com relação ao transito. Um exemplo é a reforma do curso de direção para primeira CNH (Carteira Nacional de Habilitação). Que anteriormente era executado com uma semana de aulas teóricas, e quinze aulas praticas na direção de veiculo. Agora o obrigatório é quinze dias de aula teórica, e vinte aulas praticas de direção, para tirar a primeira habilitação. E a regra de um ano de “permissão”, antes de receber a CNH de motorista definitiva, permanece.
Além dessas providências o GDF (Governo do Distrito Federal) juntamente com o DETRAN-DF, a PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal) e a Secretaria de Transportes do DF, criou o programa “Paz no trânsito”. Com enfoque na divulgação de informações importantes que todo motorista deve saber para ser um bom condutor de veículos. Seja ele ciclista, motociclista, motorista ou até mesmo pedestres.
E com todos esses problemas e complicações o brasiliense vai convivendo. Alguns se acostumam com o tempo. Mas o fato é que trânsito de Brasília está cada vez mais cheio. E o povo aguarda possíveis soluções para que a capital federal não se transforme, tão cedo, em uma “mini São Paulo”.
Por Nayara Alinne Storquio




